Petrobras interrompe fornecimento de lote de gasolina de aviação após testes

A Petrobras decidiu, no sábado (11), interromper preventivamente o fornecimento de um lote de gasolina de aviação, conhecida pela sigla AVGas, após testes realizados em seu centro de pesquisas (Cenpes).

A companhia identificou que este lote, importado do Golfo do México, apresentou um teor de compostos aromáticos diferente dos lotes até então importados, mesmo estando de acordo com os requisitos de qualidade exigidos pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).

A Petrobras diz que estuda a hipótese de que uma variação da composição química pode ter impactado os materiais de vedação e revestimento de tanques de combustíveis de aeronaves de pequeno porte.

Na última quarta-feira (8), a ANP abriu uma investigação depois de ter sido alertada sobre uma denúncia de problemas com gasolina de aviação. De acordo com as denúncias, o combustível causaria corrosão no revestimento dos tanques.

A investigação foi aberta no mesmo dia em que uma aeronave de pequeno porte, que usava esse tipo de combustível, caiu na Avenida Braz Leme, na zona norte de São Paulo, próximo ao aeroporto Campo de Marte. O acidente matou o piloto Paulo Pereira.

Segundo a Petrobras, ainda não há um diagnóstico completo que permita assegurar a relação de causa e efeito entre o combustível e problemas nas aeronaves, já que isso requer um rastreamento em todo o território nacional.

A empresa reforça também que somente um lote da gasolina foi suspenso e que todos os outros lotes importados estão dentro dos parâmetros exigidos pela ANP e têm seu fornecimento mantido para o mercado.

“A companhia reitera que todos os produtos que comercializa seguem padrões internacionais. A gasolina de aviação comercializada é previamente testada para garantir o atendimento às especificações do órgão regulador. A companhia seguirá cooperando com a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e ANP”, diz a Petrobras em nota.

A Petrobras importa gasolina de aviação, a partir do Golfo do México, de grandes empresas norte-americanas desde 2018, quando a unidade que produzia o combustível, na Refinaria Presidente Bernardes – Cubatão (RPBC), foi paralisada.

De acordo com a empresa, a reforma da planta produtora sofreu atraso devido à interrupção das obras causada pela pandemia de Covid-19, mas a previsão é que a produção seja reiniciada em outubro de 2020.

Em nota, a Raízen Combustíveis, empresa controlada pelo grupo Cosan e que opera a marca Shell no Brasil, informou a decisão de suspender, de forma preventiva, a comercialização de AVGAS. “Recomendamos que a comercialização de AVGAS seja suspensa pelas revendas, ao menos até que novos esclarecimentos sejam apresentados pela Petrobras”, disse a empresa.

A BR Distribuídora também anunciou a suspensão da venda de AVGAS.

A Pioneiro Combustíveis também disse que suspendeu o fornecimento do produto “até que a distribuidora Petrobras esclareça as dúvidas sobre a qualidade do produto por ela distribuído”.

Já o aeroporto de Campo de Marte confirma que a BR Distribuidora e a Shell interromperam o fornecimento da AVGAS, então o aeroporto não está realizando esse tipo de abastecimento. O Campo de Marte, portanto, segue aberto apenas para pousos e decolagens.

Por: R. Amaral | Fonte: CNN | 13/07/2020

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